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    Seria uma boa ideia aumentar o número de subdivisões do Brasil?

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    Dom Casmurro

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    Data de inscrição : 02/11/2013

    Seria uma boa ideia aumentar o número de subdivisões do Brasil?

    Mensagem por Dom Casmurro em Ter Dez 10, 2013 9:55 am

    Hoje me peguei pensando sobre o tamanho do território brasileiro e seu número de estados. Com aproximadamente 8,5 milhões km², o Brasil possui 27 unidades federativas. Se dividirmos a área total pelo número de estados, chegaríamos em aproximadamente 326 mil km² por estado, o que seria um pouco menor do que a área de Goiás, com 340 mil km².

    Claro que esse não é o caso do Brasil. Temos exemplos de super-estados como o Amazonas, com 1,5 milhões km², o Pará, com 1,2 milhões km², e o Mato Grosso, com 903 mil km². Além desses, podemos também citar a Bahia e Minas Gerais. Esses dois últimos, porém, assim como estados grandes da região Centro-Sul, são relativamente desenvolvidos e com uma política e história definidas, não trazendo muitos benefícios suas divisões. Porém, os estados do Amazonas, Pará e Mato Grosso possuem pouca infraestrutura, economia pouco desenvolvida ou muito dependente do setor primário e má qualidade de vida para a população que vive longe das capitais. Além disso, como poderia um único governador e sua equipe administrarem um estado do tamanho do Amazonas, com particularidades e problemas tão singulares?

    Vamos usar exemplos de outros países. Os Estados Unidos possuem uma área um pouco maior do que o território brasileiro, com 9,3 milhões km², possuindo quarenta e oito estados na maior parte de seu território, quase duas vezes mais do que o número de estados brasileiros, considerando que sua área não é nem 1,1 vezes maior do que a área brasileira. A Alemanha possui o mesmo tamanho do Mato Grosso do Sul, com uma área de 357 mil km² de área, possuindo dezesseis subdivisões.

    Com esses fatos em mente, é fácil dizer que seria melhor para o Brasil que ele dividisse seus grandes estados em regiões menores, causando assim uma melhor administração por parte do governo. Porém, não é segredo que em muitas localidades do Brasil, principalmente nas mais distantes dos centros políticos e econômicos, o Estado simplesmente não existe. Em regiões afastadas das capitais de estados como Amazonas e Pará, existe uma completa ausência das forças de segurança e da autoridade do governo. Ao mesmo tempo, muitos dos governadores desses estados (e aqui, tomo muito cuidado para não generalizar e não cometer injustiças) são eleitos de maneira questionável. Se não há a presença do Estado para fiscalizar, quem garante o que acontece por lá? Se boca de urna e compra de votos ocorrem do lado de fora dos colégios eleitorais em grandes cidades, que tipo de coisa acontece nas cidades perdidas no meio do Amazonas ou do Pará?

    Maior subdivisão causaria maior burocracia (maior burocracia no Brasil!), e maior burocracia causaria maior corrupção e mais cargos para empregar os bons e velhos aliados do governo, que precisam de um dinheirinho para não abrirem a boca ou continuarem a prestar a serviços - o que dizer dos trinta e quatro órgãos de governo com status de ministério? -. Então por que não há corrupção nos Estados Unidos ou na Alemanha? Primeiramente, eu realmente duvido que haja um único país no mundo em que a corrupção seja inexistente. Contudo, comparado com o Brasil e muitos outros países subdesenvolvidos, podemos até afirmar que a corrupção é tão pequena que chega a ser insignificante. Temos problemas parecidos a respeito da legalização das drogas no Brasil.

    Os brasileiros já não conhecem o Brasil hoje, com vinte e seis estados. Pergunte para um aluno médio, seja de escolas públicas ou particulares, e ele provavelmente não saberá dizer quais são todos os estados, suas localizações e capitais. E os governadores de cada estado? Aposto que nem os próprios governadores sabem quais os nomes dos outros governadores. Esse descaso é um dos maiores responsáveis, senão o maior, da ausência do Estado nas regiões Norte, Centro-Oeste e até Nordeste.

    Só quero deixar claro que aqui misturo fatos com minhas opiniões. Não sei o que dizer a respeito do assunto. Se por um lado é mais fácil administrar menores regiões, por outro, nada garante que haverá o mínimo de eficiência nas novas administrações (como já não há nas atuais, em alguns casos). O que vocês acham? Há alguma outra forma de melhor aplicar os investimentos nesses estados, procurando maior desenvolvimento?

    Apenas para terminar, temos algumas formas diferentes de regionalização, além da proposta pelo IBGE, que poderiam ajudar nessa questão. A Divisão geoeconômica do Brasil, proposta por Pedro Geiger, leva em consideração a formação histórica e econômica do Brasil, por exemplo. Porém, como não respeita os limites interestaduais, não pode ser aproveitada pelo governo como forma de administrar os investimentos.

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