Ideias e liberdade


    Interesses exclusivos em uma política universal

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    Dom Casmurro

    Mensagens : 14
    Data de inscrição : 02/11/2013

    Interesses exclusivos em uma política universal

    Mensagem por Dom Casmurro em Dom Dez 01, 2013 12:23 pm

    É interessante de se analisar como os grupos formados em uma sociedade inevitavelmente atingem a política, pelo o menos se tratando de um país politicamente defeituoso e atrasado. A situação brasileira é um exemplo clássico desse atraso. Não posso, porém, afirmar que há ou não culpados: um longo e complexo processo histórico foi responsável pela ineficiente política brasileira.

    Para entender do que estou falando, basta uma curta caminhada pelo centro de qualquer cidade média brasileira. Principalmente agora, quando 2013 termina e se dá início a um ano de eleições. Caminhem pela rua, e procurem posters e outdoors divulgando algum candidato. Não é difícil achar algo como:

    Votem no Pastor X!

    Ou ainda:

    O deputado Pastor Y dará palestra sobre tal assunto...

    Usei o exemplo do pastor porque, segundo uma análise fria, é muito mais comum do que outros títulos de diferentes instituições religiosas. Não me entendam mal: não estou aqui para criticar a religião, cujos alguns ensinamentos eu creio serem de boa orientação para a sociedade. Minha crítica vai ao simples fato desses homens se identificarem como pastores.

    Por que eles são deputados, senadores ou vereadores? Estão lá para representarem a sociedade. Não estão lá para representarem os membros da sua igreja, segundo doutrinas de sua religião. Um político está lá para representar todos os membros de uma sociedade. Querem um exemplo concreto? Sei que muitos vão adorar esse em específico. O Pastor Marco Feliciano deixa que sua religião afete a política, que deveria ser fria e impessoal. Não sou contra que membros de uma sociedade ou mesmo toda uma sociedade (ainda que seja complicado, visto a dimensão da sociedade brasileira) siga doutrinas religiosas, como já disse anteriormente. Contudo, isso não pode acontecer com a política. Novamente, a política precisa ser fria e impessoal, o político anônimo e sem quaisquer opiniões particulares, pelo o tempo que estão no exercício de suas funções. Claro, nada impede que o pastor pregue, mesmo sendo político, mas que faça isso apenas quando já não representa a sociedade.

    O Pastor Feliciano é apenas um exemplo, para citar sobre a presença da religião na sociedade. Mas toda e qualquer opinião particular, ou que siga uma minoria da sociedade não deve estar representada na política. Jean Wyllys é um grande exemplo de confusão de política com interesses pessoais. São notórias suas declarações e atitudes na política que são restritas para um determinado grupo, assim como são as de Marco Feliciano. O político está lá para representar a sociedade, e se é necessário alguém que represente exclusivamente os homossexuais, então os homossexuais não são parte da sociedade? São o que? Pessoas inferiores que precisam de tratamento especial? Ou pessoas superiores? Nenhum das duas. São membros comuns da sociedade brasileira.

    Essa conclusão serve para qualquer grupo defendido na política. Religiosos, homossexuais, mulheres, brancos, negros ou qualquer outro grupo são membros de uma sociedade. Não critico a existência de movimentos como o feminismo e gayzismo (mas critico algumas de suas características). Minha indignação vai ao fato de opiniões desses grupos se refletirem na política que, novamente, deve ser fria e impessoal, para servir aos bens de toda a sociedade e de todos os seus indivíduos.

    É necessário que sejam feitas reformas políticas a favor desses grupos? Discutível, mas vamos supor que sim. Isso não exige a presença de alguém que se afirme homossexual, feminista ou religioso na política, com um grande cartaz preso ao peito onde podem ser lidas todas as opiniões particulares desses grupos, como ocorre com os exemplos citados. Os movimentos sociais devem discutir e planejar reformas, e essas devem ser encaminhadas para a decisão política, acabando o papel desses grupos. Com as reformas nas mãos dos políticos, será decidido se aquilo é ou não plausível, e para isso, qualquer pessoa, inclusive as que são membros desses movimentos, poderá ser consultada. Os indivíduos são consultados, não os grupos. Ainda assim, não é necessário, por exemplo, que eu seja uma mulher para concordar que as mulheres precisam de mais participação política (sendo que no Brasil, os dois cargos políticos mais importantes são ocupados por mulheres). Até onde vai a sensatez das reformas, é assunto para outros tópicos.
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    Conhyrad

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    Re: Interesses exclusivos em uma política universal

    Mensagem por Conhyrad em Dom Dez 01, 2013 1:04 pm

    Concordo plenamente com você, as pessoas que se candidatarem tem que se candidatar como cidadãos simples, e não como "suas profissões" ou alguma característica da personalidade/físico delas. Claro, todas as pessoas são diferentes, desde fisicamente (gêmeos, nesse caso, são um caso especial, HUEHUE) até mentalmente e ideologicamente, e são as suas diferenças que as tornam únicas como pessoas, mas essas características, essas diferenças, passam a ser "corrosivas" para a sociedade quando elas se acham superiores e/ou requisitam privilégios sobre a sociedade como um todo.

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