Ideias e liberdade


    A Deslocação do Espectro Político

    Compartilhe
    avatar
    Conhyrad

    Mensagens : 40
    Data de inscrição : 29/10/2013
    Localização : Rio de Janeiro

    A Deslocação do Espectro Político

    Mensagem por Conhyrad em Sab Nov 09, 2013 7:45 pm

    " E o grupo de indivíduo que é conhecido de "Esquerda" em um momento, se torna "Direita" no outro. Quando você diz que a "Direita está tomando as rédeas no final", você está dizendo "A esquerda está tomando as rédeas e se tornando direita após a transformação societária". A antiga direita, na maior parte das vezes, perde a cabeça. "
                                                                                                                                -Anônimo


    A esquerda, na luta política pelo poder, é inimiga e rival da direita. A esquerda defende ideias revolucionárias, enquanto a direita, na maior parte das vezes, defende a conservação do estado político, social e econômico "atual", causando uma divergência e luta entre os dois lados do espectro político.

    Quando, eventualmente, a esquerda toma o poder político no país, e o detém por um certo tempo, ela começa a fase de transição para uma república socialista, que ela em si é uma fase de transição para a ditadura do proletariado e, eventualmente, o comunismo propriamente dito. Como o governo (esquerdista) faz isso? Fortalecendo os meios de opressão e controle estatal nas vidas das pessoas, muitas vezes sutilmente, e também ocupando espaço na mídia, nas universidades, etc, para provocar uma revolução cultural, e manipulação geral da massa, fazendo com que ela, conservadora por natureza, acabe concordando, mesmo sem saber, com ideais marxistas, de modo a facilitar as fases de transição da esquerda comunista.

    O comunismo nunca foi atingido, de acordo com seus seguidores, mas todas as suas tentativas terminaram (e começaram) com um custo de centenas de milhares, ou até milhões, de pessoas, em todo o mundo, mas eventualmente essas ditaduras caíram, antes de completar seus objetivos (o comunismo), por pressões internas, externas e/ou crises econômicas. Este último, no entanto, pode ser contornado pelo governo da ditadura do proletariado, caso ele desista do absoluto controle estatal sobre a economia, passando a um Capitalismo de Estado, conhecido por ser o modelo econômico usado pelos nazi-fascistas, entre eles Hitler e Mussolini, e, mais recentemente, a China, esta última sendo comunista, onde alguns capitalistas são permitidos de terem suas propriedades e indústrias privadas, porém pesadamente regulados pelo governo, onde o sucesso econômico é mérito do Estado, e o fracasso é culpa do capitalista "sujismundo". Essa pequena liberdade no mercado não significa nem um pouco liberdade individual, predominando ainda a interferência estatal na vida pessoal e individual de cada pessoa, característica inerente do movimento marxi-comunista.

    Dentre aquelas milhares e milhões de pessoas mortas, vítimas do comunismo revolucionário, estão, com quase total e absoluta certeza, os cadáveres dos antigos oposicionistas da esquerda, a direita conservadora-liberal, que, durante a fase da república socialista e populista (que ainda seria uma democracia, mesmo que limitada), estavam, em sua maioria, marginalizados, devido à "deslocação" no espectro político que os social-comunistas provocam quando detém o poder político e cultural de um país por um tempo. Eles criam um monopólio de poder, gerando a direita da esquerda, os "sociais-democratas", que passam a ocupar o (antigo) lugar dos conservadores e liberais verdadeiramente de direita. Esses sociais-democratas passam a ser rotulados de direitistas pelo Estado e pelas pessoas associadas a ele, fazendo com que a esquerda seja o comunismo revolucionário, a direita seja a social democracia, o liberalismo e conservadorismo sejam a extrema direita, e, em alguns casos, até ultra-direita, rótulos que a esquerda passa a usar como expressões pejorativas, no objetivo de desmoralizar toda a direita, e obter, assim, "democraticamente", através de sucessivas reeleições do mesmo partido, ou de outro partido igualmente esquerdista, o monopólio do poder num país. Aquela direita marginalizada é morta e exilada quando o processo chega na fase da ditadura proletária, fazendo com que a "direita", composta pelos sociais-democratas. se fortaleça como direita, e o comunismo, como a esquerda definitiva e solitária. Isso acontece para confundir as pessoas, e promover um falso senso de diversidade política e intelectual.

    Mas  a tendência natural do ser humano,  é, eventualmente, preservar aquilo que ele já conhece e já está familiarizado. O comunista revolucionário que implantou a ditadura do proletariado passa, depois de um tempo, a querer conservar o que ele revolucionou, e não mais revolucionar. Claro, isso não acontece com todos, mas é um fenômeno que ocorre em muitos. Aqueles "direitistas" (sociais democratas), na ditadura, passam a ser comunistas moderados, mas com o passar do tempo, também se "desradicalizam", focando em conservar o que ele e seus comparsas conquistaram. Todos eles, mesmo esquerdistas, passam a ir cada vez mais pra direita (nesta ocasião baseando-se em outro sentido da Revolução Francesa, onde o centro é quem governa, a direita é quem apóia o governo e a esquerda é quem se opõe a ele). Neste caso, a direita verdadeira já não existe mais, e todos são esquerdistas, mesmo os que são de "direita".

    Após um certo tempo, o ciclo se repete. Os antes comunistas moderados agora são considerados direitistas extremos, e, se outra revolução acontecer, os antigos revolucionários seriam os massacrados/exilados da vez, e os novos revolucionários ocupariam os lugares dos velhos, que também eventualmente, poderiam ser taxados, num futuro, de extremistas de direita, e então chacinados pela mais nova geração revolucionária, por serem considerados antiquados, retrógrados e/ou não serem revolucionários o suficiente.

      Data/hora atual: Sab Abr 21, 2018 11:46 pm