Ideias e liberdade


    O nome técnico do marxismo cultural: a subversão soviética

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    Dom Casmurro

    Mensagens : 14
    Data de inscrição : 02/11/2013

    O nome técnico do marxismo cultural: a subversão soviética

    Mensagem por Dom Casmurro em Sex Nov 08, 2013 8:39 pm

    Esse artigo foi escrito com base em uma das incríveis palestras ministradas por Yuri Bezmenov. Ex-agente da KGB, Yuri se incomodou com a posição agressiva de Moscou ao se tratar de oposicionistas do regime, passando a repudiar a lavagem cerebral praticada pela União Soviética, desertando para o Ocidente.

    É possível assistir a palestra completa aqui:
    http://videos.sapo.ao/yjKTZLkaAC5z3sGdJgwT
    http://videos.sapo.ao/J0upH7lbFCulPHnWB3ER
    São de longa duração, mas vale muito a pena. Não só o conteúdo é excelente, como também o palestrante é extremamente didático. Aproveito para dizer que, embora o artigo descreva com precisão as etapas da subversão e suas consequências, assistir aos vídeos é essencial.

    A subversão soviética

    Conforme dito por Yuri, mais da metade dos recursos da KGB eram empregados no que os soviéticos denominavam "subversão". A subversão é a imposição de uma ideologia, a fim de ludibriar e conquistar o inimigo através de métodos que conservem os recursos do atacante, sem ser necessário uma intervenção militar. Os maiores ensinamentos a respeito dessa prática foi feito por Sun Tzu, mas como alerta Yuri, os textos sobre subversão de Sun Tzu são praticamente impossíveis de serem encontrados em bibliotecas no Ocidente. Durante o treinamento na KGB, porém, aulas sobre a subversão são obrigatórias para todos os alunos. Isso pode explicar, de certa forma, de outras nações não terem praticado a subversão, quando ela se mostra muito mais vantajosa do que atitudes agressivas.

    Para se impor uma ideologia, uma nação deveria confundir o inimigo e fazê-lo acreditar de que ela - a nação praticante da subversão - não é uma inimiga (manipulação dos fatos e da mídia). Assim, levá-lo a acreditar que sua ideologia, valores e política são uma alternativa desejável. O causador da subversão é, geralmente, um personagem artístico ou que está relacionado à linguística, entretenimento ou educação, como veremos mais a frente. Ainda por conta disso, Estados isolacionistas e ditatoriais não poderiam sofrer com a subversão, por controlarem a importação de cultura estrangeira, como fazia o Japão e a URSS. Os Estados democráticos, porém, atrairiam a prática da subversão para si mesmos.

    A subversão constitui de quatro etapas distintas:

    Desmoralização

    • Leva cerca de 20 anos (o tempo necessário para se educar uma geração de estudantes).
    • Procura influenciar através da propaganda, contato direto com a ideologia, pensamentos políticos, sociais e econonômicos (destaque para a relação entre trabalhadores e empregadores).
    • A influência deve atingir principalmente elementos problemáticos de uma sociedade democrática que são opositores dessa mesma sociedade (criminosos, pessoas que discordem da política estatal, inimigos declarados, personalidades psicóticas que simplesmente odeiam a tudo e a todos.
    • Esses elementos devem ser influenciados para que todos passem a ser contrários e adeptos dos mesmos princípios. Aquele que quiser levar a sociedade ao colapso deve incentivar esses movimentos de ódio contra os valores tradicionais.
    • A religião deve ser destruída e ridicularizada. Em seu lugar, vários cultos e seitas devem ser incentivados, tirando a atenção da população dos dogmas religiosos antigos.
    • A educação deve ser reformulada para que não ensine conhecimentos construtivos. Substituir a física, química, matemática e ciências exatas em geral para conhecimentos triviais, como história urbana, sexualidade e economia doméstica.
    • As instituições sociais previamente aceitas e estabelecidas devem ser substituidas. No lugar de relações determinadas por sentimentos, implantar sistemas burocráticos. Por exemplo: no lugar da velha amizade entre vizinhos, baseada na confiança humana, criar instituições de assistência social.
    • Os sistemas tradicionais de poder, como a eleição democrática ou apontamento de representantes deve ser substituida por órgãos artificiais que não foram de alguma forma eleitos nem possuem qualificação para governarem, mas que ainda possuem poder (mídia).
    • O sistema de lei e ordem deve ser deturpado. O oficial da lei deve ser retratado como um ser paranóico, intimidador ou louco, enquanto o criminoso deve ser retratado como alguém com mais valores morais (como fazem os filmes mais recentes). É necessário generalizar ao ponto de que todo agente da lei ser encarado como alguém que abusa de seu poder, levando ao ódio e a desconfiança perante aqueles que devem proteger a sociedade. Ao mesmo tempo, nunca deve haver certeza da culpa do criminoso.
    • As relações trabalhistas devem ser modificadas a fim de eliminar a troca natural de bens: um terceiro agente deveria controlar a distribuição de mercadorias na sociedade, e não quem realmente produz as mercadorias. Além disso, greves devem ser estimuladas para prejudicar todas as camadas da sociedade sem que essa perceba, inclusive os próprios grevistas.
    • Os sindicatos devem controlar a capacidade do trabalhador de vender sua capacidade de trabalhar. É ele quem ganha com as greves, ao mesmo tempo em que a mídia, ao informar sobre a greve, dissemina a ideologia soviética.
    • O conceito de igualdade deve ser modificado. Ao invés de fazer com que as pessoas lutem para ser iguais, através do mérito, entregá-las uma igualdade deficiente, onde todos sofrem de maneira igual.
    • Após quinze ou vinte anos, concluída a desmoralização, a sociedade não saberá mais distinguir o certo do errado.


    Desestabilização

    • As instituições devem ser ainda mais desacreditadas, mas de uma maneira mais afunilada e específica.
    • As negociações econômicas devem ser deturpadas ao ponto de atingirem níveis sociais. Não será mais possível que uma família entre em acordo de forma pacífica, mas acabando por brigarem. Conflitos fáceis de serem resolvidos através de negociações devem ser levados para a justiça. Sempre deve haver um conflito, uma luta entre dois lados que nunca chega a uma solução (alunos e professores, empregadores e empregados, marido e mulher).
    • Levando a desestabilização da lei, com a criação de grupos antagônicos que sentem a necessidade de lutarem entre si.
    • Os influenciados da desmoralização agora devem ser figuras públicas, líderes de organizações e políticos. O palestrante dá o exemplo de um homossexual, que agora faz questão de transformar sua opção sexual em assunto político, criando mais antagonismo na sociedade. Ao mesmo tempo, pastores misturam sua religião com política, e criticam o homossexual. O político, que deveria ser frio e impessoal, defendendo os interesses de toda a sociedade, passe a opinar de maneira passional e pessoal, defendendo apenas os interesses de seu grupo.


    Crise

    • Com as instituições tradicionais destruídas pelo processo de desmoralização e desestabilização, novas instituições são projetadas na sociedade.
    • Essas novas instituições passam a exigirem poder todas ao mesmo tempo. Para isso, chegam a criar conflitos que podem ser até armados.
    • Diante da crise, a sociedade clama por um salvador. Um homem de ideologia forte, um governo forte, para controlar a sociedade.
    • O salvador pode vir de duas maneiras: uma nação estrangeira que decide intervir, ou um grupo local que decide tomar o poder. Segundo o palestrante, o futuro da nação seria ou a guerra civil ou a invasão. Dessa intervenção, vem o próximo ato.


    Normalização

    • Esse é o ponto mais curioso do vídeo. O novo governo passa a estabilizar o país a força, e para isso, precisa eliminar os revolucionários. Basicamente, todos de ideologia de esquerda são eliminados, talvez fisicamente.
    • Essa eliminação também é feita por marxistas, porém enquanto as revoluções são feitas por pessoas "do baixo escalão", os idiotas úteis, os novos governantes são realmente os verdadeiros líderes soviéticos.


    Yuri cita agora as dificuldades de reverter o processo de subversão. Exemplifica com quando os EUA invadiram a Ilha de Granada, dominada pela URSS. Mas por que não parar o processo antes da normalização? Os intelectuais não permitem a intervenção americana, apesar de não serem estranhos a intervenção soviética (Yuri exemplifica com os países latino-americanos). Além disso, também deixa bem claro que, para reverter o processo quando este já está na normalização, não há outra forma além da intervenção militar. É possível, quando ele ainda está no processo de crise ou ainda antes, que haja intervenção não militar, graças à ações da CIA, como ocorreu no Chile. Estimulando as organizações conservadoras de direita e impedindo uma guerra civil ou invasão, é possível reverter o processo sem ação militar. Aqui, faço uma relação com a Ditadura Militar no Brasil.

    É ainda mais fácil reverter o processo quando ele ainda está na desestabilização. Para isso, é necessário restringir direitos civis de instituições e elementos opositores da sociedade, como criminosos. Não deixe que os homossexuais ou religiosos extremistas atinjam poderes políticos, por exemplo. Além disso, a mídia e a propaganda também deveriam ser ligeiramente controlados, devido aos problemas causados pelo consumismo. Yuri dá atenção para as instituições religiosas que foram ridicularizadas no processo de desmoralização: eram elas que orientavam a sociedade a consumir menos. O processo de desesmoralização, portanto, poderia ser evitado se a sociedade conseguisse controlar seus impulsos. Yuri é extremamente contrário ao consumismo.

    Para evitar o início do processo de subversão, a importação de cultura estrangeira deveria ser evitada. Mas para Yuri, a solução final para evitar o processo de subversão é trazer a religião para a sociedade. Aqui, digo que fiquei impressionado, mas não surpreso. Yuri exemplifica com um cientista soviético que descobriu que várias civilizações (incas, astecas, hindus, babilônicas) desapareceram no momento em que perderam a religião. Para Yuri, a fé é algo mais concreto e mais poderoso do que uma verdade matemática. Algo que não podemos provar, mas que mantém a sociedade se movimentando, impede que ela se destrua. Para mim, isto faz sentido. Não acredito em uma entidade divina, mas acredito que a religião, caso mantida separada da política e das relações sociais, é necessária para impedir os vícios a qual uma sociedade está sujeita, como o consumismo.

    É possível perceber muitos paralelos entre o que disse Yuri e o que está acontecendo em todas as sociedades ao redor do mundo, principalmente a brasileira. Há grande burocratização das relações sociais, ao mesmo tempo em que as instituições responsáveis por essa burocratização são desacreditadas. Os papéis se invertem, e o policial é visto como uma máquina desprezível, passível de eliminação, enquanto o criminoso que tira a liberdade alheia ao praticar um assalto é visto apenas como uma vítima do sistema, sem que haja necessidade de punição. As práticas da subversão, a ideologia do marxismo cultural, ou seja lá como vocês quiserem denominar o que está ocorrendo, são facilmente notadas em todos os espectros da sociedade brasileira. Porém, a subversão tinha como objetivo danificar um país até que ele estivesse clamando por uma ação militar (período de Crise), que seria regulada pela União Soviética, permitindo assim que ela dominasse um país sem encontrar resistência. O ponto é: não há mais União Soviética. O que supostamente aconteceria com uma sociedade danificada pela subversão, mas sem seu causador inicial presente para terminá-la?







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    Conhyrad

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    Re: O nome técnico do marxismo cultural: a subversão soviética

    Mensagem por Conhyrad em Sex Nov 08, 2013 11:02 pm

    Dom Casmurro escreveu:O ponto é: não há mais União Soviética. O que supostamente aconteceria com uma sociedade danificada pela subversão, mas sem seu causador inicial presente para terminá-la?
    O Foro de São Paulo está aí pra isso. Ele seria o "orquestrador" e organizador disso, e também seria quem iria aparecer como "salvador da pátria", no período de crise.

    Sou agnóstico, mas respeito muito as religiões (nem tanto as instituições, que muitas vezes são corruptas), porque sei que elas tem papel fundamental nas "engrenagens" da sociedade, para que ela (a sociedade) não perca o controle de si mesma.

    Vejo muitas características do processo de desestabilização ocorrendo no Brasil, com deputados/senadores abertamente defendendo apenas uma parcela minoritária da sociedade, como aquele senhor Jean Wyllys, gayzista declarado e extremista, assim como alguns pastores por aí (nem todos são, mas alguns são bem extremos). Também teve, recentemente, um projeto de lei para que hajam cotas para os cargos das Câmaras. Um verdadeiro absurdo.

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